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POR QUE SEMPRE ESCOLHO O MESMO TIPO DE PESSOA PARA ME RELACIONAR?

  • carlasamoreira
  • 9 de mar.
  • 2 min de leitura

Muitas pessoas percebem, depois de algumas experiências amorosas, que parecem estar vivendo a mesma história com personagens diferentes. Mudam os rostos, mudam as circunstâncias, mas os conflitos, as frustrações e até o tipo de parceiro se repetem. Do ponto de vista da psicanálise, isso dificilmente é apenas coincidência.

Para o psiquiatra e psicanalista Carl Gustav Jung, nossos relacionamentos são profundamente influenciados por conteúdos inconscientes. Muitas vezes nos apaixonamos não apenas pela pessoa real que está diante de nós, mas por imagens internas que carregamos dentro da psique. Jung chamou essas imagens de anima e animus, arquétipos que representam o feminino e o masculino presentes no inconsciente. Assim, quando alguém desperta algo muito intenso em nós, pode ser porque essa pessoa toca exatamente nessas imagens internas e não porque ela corresponde à realidade que imaginamos.

Já o psicanalista Jacques Lacan trouxe outro olhar importante: nós amamos a partir daquilo que nos falta. Segundo Lacan, nossos vínculos amorosos são atravessados pelo desejo, e o desejo nasce da falta. Muitas vezes buscamos no outro algo que acreditamos que irá completar ou reparar algo em nós. O problema é que, quando essa falta não é compreendida, podemos acabar repetindo escolhas que tentam, inconscientemente, resolver antigas feridas.

Por isso, na psicanálise, fala-se muito em repetição. Não repetimos porque queremos sofrer, mas porque o inconsciente tenta elaborar algo que ainda não foi compreendido. De certa forma, cada novo relacionamento pode ser uma tentativa de resolver histórias emocionais que começaram muito antes, muitas vezes ainda na infância, nas primeiras experiências de amor, reconhecimento e vínculo.

Perceber esse padrão já é um passo importante. Quando alguém começa a se perguntar por que suas escolhas afetivas parecem seguir sempre o mesmo caminho, essa pergunta pode abrir uma porta para o autoconhecimento. A psicanálise justamente convida a investigar essas repetições, não para julgar as escolhas, mas para compreender o que o inconsciente está tentando dizer através delas.

Porque, muitas vezes, quando entendemos a história que estamos repetindo, abrimos a possibilidade de finalmente escrever uma história diferente.

Carla S. A. Moreira - Psicanalista (81- 99826.7115)


 
 
 

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© 2024 por Carla Moreira, Psicanalista

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